Música

Adam Green: Minor Love
10/03/2010Com um enorme leque de influências, o álbum traz Green em quase todos os instrumentos, cantando, compondo e escrevendo as letras das canções.
Adam Green é um cara pouco conhecido por aqui. Seu nome ganhou destaque na cena musical mundial por causa da trilha sonora do filme Juno. Nela constam canções do Moldy Peaches, grupo do qual fez parte ao lado de Kimya Dawson. E foi o dueto com Kimya na bela "Anyone Else But You" o responsável pela atenção gerada em torno do músico.
Adam Green é um cara esquisito. Em sua passagem pelo Brasil no ano passado, quando excursionou junto ao Little Joy e ao Dead Trees, mostrou toda sua energética e afetada performance de palco. Isso fez com que, aqueles que não conheciam sua música, acabassem por não prestar muita atenção nela.
E é uma pena, pois o músico tem talento. Talento que se ouve em "Minor Love", seu sexto álbum - e o moço não chegou aos 30 anos. Com um enorme leque de influências o álbum traz Green em quase todos os instrumentos, cantando, compondo e escrevendo as letras das canções.
Segundo o próprio cantor - no press release - o álbum foi composto em semi-isolamento. Green contou com um músico ou outro eventualmente, mas preferiu trabalhar só. Pelo jeitão alternativo, pela música em si e pela já mencionada performance, Adam Green acaba agradando um público específico, antenado em coisas diferentes, que se afastam do pop.
Mas sua música não é difícil. Pelo contrário, suas canções sempre tiveram uma pegada fácil e letras com ironia. O repertório de "Minor Love" também traz essas características - é basicamente suave. É fácil ouvir e cantarolar "Don't Call Me Uncle" ou "Buddy Bradley", por exemplo.
Mas há pouco humor em "Minor Love". Há, sim, sarcasmo, fatalismo e narrativas bizarras nas curtas canções de Green. No geral, o músico parece mais melancólico. Talvez mais maduro e direto. Alguns fãs poderão não gostar do álbum exatamente por isso.
Entre os momentos mais inspirados do álbum estão "Boss Inside", "Oh Shucks" - um garage rock que quase destoa do repertório - e "Lockout" - que, não sei bem porque, me lembrou Beck. Vale mencionar também "What Makes Him Act So Bad", que traz participação de Rodrigo Amarante (Little Joy, Los Hermanos).
Fonte: Território da Música/Lizandra Pronin.




