Clipagem - 31/07/2010
Educadores buscam meios de combater o bullying nas escolas
18:03
Lira Fraga, Jornal do Brasil RIO DE JANEIRO - – Na escola, eu era xingada de gorda, de baleia. Riam de mim quando eu chegava à sala de aula, e os meus colegas começaram a me excluir das conversas na hora do intervalo – desabafa a estudante Claudia Soares, de 17 anos, do ensino médio da rede privada. Um problema que atinge muitas crianças e adolescentes no mundo, o bullying significa ameaçar, intimidar em inglês, e designa agressões verbais, psicológicas e físicas repetidas e praticadas por parte de um ou mais alunos contra um ou mais colegas. – Com o tempo, estudar virou uma tortura, cheguei a inventar motivos para faltar à aula, e as minhas notas baixaram – relata Cláudia, que até hoje sofre com os traumas gerados pelas brincadeiras de mau gosto que os colegas faziam quando ela era do ensino fundamental. Perfil De acordo com a psicóloga Maria Tereza Maldonado, as vítimas, em geral, são crianças e adolescentes inseguros, tímidos, ou com dificuldade de comunicação. – Muitos sofrem agressões em silêncio, com medo de se expor e, a longo prazo, ficam com a autoestima em baixa. No município do Rio, o combate ao bullying já é lei (nº 5.089), sancionada pelo prefeito Eduardo Paes em outubro de 2009. O texto determina que as unidades de ensino da rede municipal incluam em seus projetos pedagógicos ações para combater esse mal tão comum. Na esfera estadual, ainda não existe um projeto específico. A Secretaria de Educação informou que está integrando à grade curricular atividades sócioeducativas com os alunos. Atividades em grupo A professora Marcia Carvalho ressalta que as agressões atingem a capacidade cognitiva e emocional da criança e do adolescente vítimas, e diz que na escola onde trabalha tem adotado atividades que ensinam os valores fundamentais do convívio. – Elaboro pesquisas em grupo com os alunos em que eles apresentam fotos e histórias em quadrinhos para conscientizar o grupo das consequências do bullying. Na internet, espaço para o preconceito Fofocas, apelidos maldosos, ameaças e gozações típicas do ambiente escolar circulam também na web. E ganham uma proporção maior, porque na internet ninguém precisa mostrar o rosto. Normalmente, o agressor utiliza a postagem anônima para não ser descoberto. Helen Sardenberg, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), explica que, dependendo da gravidade das agressões pela internet, o ato poderá ser considerado crime contra a honra e injúria. Porém, quando o agressor tem até 18 anos, é protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e o caso, então, é registrado e enviado para o Conselho Tutelar e para a Vara de Infância e Adolescente. A delegada cita o caso de uma mãe que foi registrar queixa porque seu filho era vítima de ciberbullying feito pelos colegas de escola. – Essa mãe estava muito nervosa, porque criaram uma página na internet com montagens constrangedoras de fotos do seu filho – relata. De acordo com a psicóloga Maria Tereza Maldonado, é importante criar no ambiente escolar campanhas antibullying e ciberbullying, e os professores devem buscar parcerias com os responsáveis pelos alunos. – A escola tem que impor limites, tanto o agredido quanto o agressor, que também é problemático, são vítimas – frisou.
http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/31/e310722471.asp
Fonte: JB Online
Autor: Redação




